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terça-feira, junho 23, 2020

Trabalho doméstico - das mulheres

Lendo o livro de Angela Davis, Mulheres, raça e classe, da Editora Boitempo; 2019; me deparo com uma situação que as mulheres, ainda hoje, vivenciam - o trabalho doméstico. Este trabalho é imposo a mulher como seu de direito. Ela gasta horas limpando, lavando, cozinhando e cuidando dos seus entes próximos de uma forma infindável. Este trabalho visto somente quando não realizado por aqueles que  usufruem sem gastar tempo executando-o.

Em contato com mulheres jovens moradoras das regiões periféricas de São Paulo, elas tem se revoltado e se rebelado a esse papel que suas mães querem lhes atribuir. Fato que gera estresse tanto em suas mães como nessas adolescentes que se recusam a tomar para si esse papel.  Papel esse desempenhado pelas mulheres, e muitos homens usufruem desse trabalho sem se dar conta do milagre do feijão cozido à mesa.

Esse milagre atribui a mulher o que Lenin diz: " as insignificantes e mesquinhas tarefas domésticas esmagam, estrangulam, embrutecem e humilham [a mulher], aprisionam-na à cozinha e ao quarto das crianças e desperdiçam seu trabalho em uma lida brutalmente improdutiva, insignificante, exasperante, embrutecedora e esmagora". (Vladimir Ilitch Ulianov Lenin. Panfleto originalmente publicado em julho de 1919, apud Angela Davis).

Temos entao, que já se passaram anos e as adolescentes jovens ainda estão se revoltando desse papel esmagador que a sociedade quer atribuir a mulher. É hora de revisitarmos essa situação.

domingo, junho 14, 2020

COVID BABY BOOMER

Após a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964, ocorreu na Europa o chamado “baby boomer”, marcado pelo aumento significativo da taxa de natalidade.

Nestes tempos de COVID-19, muitos já apontam para um possível novo boom de nascimentos.

Penso nessas futuras crianças como uma geração “COVID BABY BOOMER”.

A questão torna-se ainda mais preocupante nos países pobres, onde as desigualdades sociais foram intensificadas pela pandemia.

Revistas e reportagens já anunciam:

“Covid-19: sete milhões de gravidezes indesejadas em seis meses.”

Sem comentários.

O TEMPO PASSANDO...

O tempo.
Passa lentamente.
Passa despercebido aos desatentos.
O espelho mostra que ele passou.
O corpo tem as linhas dos fatos passados.
Ele sublinha cicatrizes marcantes.
Perdas e ganhos.
Ganho de peso, perda de orgãos.
Ganho de idade.
As fotografias. Ah! As fotografias.
Elas nos faz reviver lembranças.
Lembranças dos amados que partiram.
Pai, mãe, tias, irmãos, amores.
Quantas mortes.
Mortes ainda em vida.
As fotografias
Ela nos relembra do tempo.


As fotos são para relembrar daqui uns anos o tempo do afastamento social da era COVID19.

Testando  o pano.
Parece bom.

Revendo a forma








domingo, maio 31, 2020

O que faz os meus vizinhos durante a COVID?

Após um bom tempo de confinamento, alguns resolveram mostrar suas habilidades artísticas. Um homem abriu a janela e se pôs a cantar os clássicos. Cantou e cantou, assim como fizeram os italianos.  Olhando a habilidade do vizinho, na próxima semana um pianista, colocou frente à sua janela um microfone e tocou. Tocou todas as músicas que o ouço ensaiar todos os dias.  Vocês acham que os demais vizinhos ficaram dentro de suas casas para ouvi-los?  

Isso mesmo, não ficaram. Espantosamente, foram para fora aplaudir os artistas. Pediram bis, aplaudiram e acharam que estavam em um teatro na janela.  É não para por ai.
Temos as mães com seus filhos sem as aulas escolares. As mães com os filhos pequenos, pensam que estão em férias prolongadas. Elas colocam suas máscaras caseiras e vão no parque em frente à minha janela. Lá ficam assistindo as crianças brincarem. Todos os dias estão lá mães, pais e filhos no parque esperando o COVID-19 passar, e as crianças retornarem para os seus professores.

O subsíndico do prédio resolveu colher abacates. Pegou todos os abacates e saiu nas portas distribuindo. Tocou na minha porta, não atendi. Depois abri a porta é vi que havia deixado dois grandes abacates para mim. Já o síndico, resolveu me dizer que o banco não sinalizou o pagamento do meu condômino. Para dar esse aviso, pediu que o segurança viesse em minha porta para dar o recado. Óbvio, que eu fiquei brava e encaminhei um e-mail dizendo que em época de pandemia estamos utilizando os meios virtuais para nós comunicar.

Embora, com alguns desencontros os vizinhos estão se ajustando. Eles continuam cantando, levando os filhos no parque, saindo para correr como se o COVID-19 tivesse dado a eles a liberdade de ficar em casa alguns tempos fora das férias planejadas.  

domingo, maio 24, 2020

Valores para o final da pandemia

Me pediram para falar sobre o que espero no final da pandemia.
Então, espero o dito abaixo:




segunda-feira, maio 18, 2020

O que faço durante o afastamento social devido o COVID-19?

Iniciei vários projetos.

O primeiro Projeto. Estudar matemática no Khan Academy  Começei a estudar lá da primeira série e fui até ao 5 ano.  Fui assídua, fiz várias atividades para passar adiante. Projeto fracassado. Motivo: tinha que gastar muito tempo fazendo muitos e muitos exercícios para passar adiante.

Segundo Projeto. Fazer comidas simples, com poucos ingredientes mas saborosas.  Escrevi algumas receitinhas e compartilhei. Projeto fracassado. Motivo: minha listinha de mercado não era suficiente para abarcar as receitinhas. Se pudessémos ir livremente no mercado, provavelmente, o projeto teria continuado.

Terceiro Projeto. Reunião familiar todos os dias as 18 horas. Nesses encontros falaríamos do dia, leríamos um capítulo da bíblia, oravámos e finalizava. Projeto fracassado. Motivo: as pessoas chegavam no encontro com o pé para ir embora. Vinham todos com pressa e eu querendo dialogar. Além disso, a lider não podia ser contrariada.

Quarto Projeto (em andamento). Cantar, gravar e enviar ao grupo da família.  Cantei algumas músicas e enviei ao grupo da família. O projeto possui alguns resultados que pode ser confirmado com um vídeo no  Youtube com parte da família cantando. Link para o projeto: Convida20

Quinto Projeto (em andamento).  Minha amiga e eu vamos ler juntas pelo Hangout. O primeiro livro será do autor José Saramago, título "O conto da Ilha desconhecida".

Sexto Projeto (em andamento).  Fazendo ginástica aeróbica e localizada 03 vezes por semana que pode ser acessado pelo YouTube Em forma. É ótimo porque é uma robozinha.

Participação em Projeto (em andamento).  Gravar um podcasting sobre ação da enfermagem na COVID-19.

Bem, como visto, alguns projetos não estão indo adiante. Acho que eles não tiveram sucesso, pois tenho muitos trabalhos que exigem Atenção Plena.

domingo, abril 19, 2020

domingo, abril 12, 2020

CONFINAMENTO

Em tempos de confinamento,
descobrimos o valor dos bons amigos.

Mesmo distantes,
eles abrem suas casas pelas telas
e seguimos proseando pelas redes sociais.

Às vezes penso em como seria difícil
atravessar esse tempo sem essa possibilidade de encontro.

Seguimos.
Vamos em frente.

quinta-feira, fevereiro 27, 2020

Na poesia a alma resiste ao corpo

Escrever é uma arte.
Escrever poema é desafiante. Ele busca a inspiração na alma.
A alma presa ao corpo deixa se manifestar pela poesia.
A mente então passa a buscar as experiências da alma.

O fato é que nem todas as experiências são dignas de se transformar em poesias. Às vezes, as experiências são dramas, tragédias, comédias.  Assim, as palavras são trazidas ao papel, somente aquelas que a alma libera, deixando a alma escapar da prisão do corpo.

Ela presa ao corpo não pode voar, voar perto aos que ama. Não pode caminhar perto de seu criador por sua prisão ao corpo doente e mortal.

Logo, sua fuga e se derramar e liberar-se no papel. Em cada poesia ela sai, ela vive, ela voa. É dessa forma que a alma sobrevive ao corpo mortal.

sábado, janeiro 11, 2020

Vinicius

Escrever é fugir da emoção.
Quanta verdade, diz Vinicius.
Escrevo buscando e me entregando ao amor.
Além de despejar nas palavras,
As dores daquilo que não pude ter.

segunda-feira, janeiro 06, 2020

Vivo morto

Volta janeiro, muda o ano e eu permaneço.
Permaneço com a expectativa do diferente.
Os homens reproduzem a igualdade nas diferenças.

Tudo igual. A chuva fininha na minha janela.

Ele ainda permanece no leito branco e gelado.
Cooptado pela igualdade de raça.
Vou até a janela espiar e lá está ele.
Morto.

Morreu para a vida.

Sua boca temporada não diz NADA.
Proibiram-no de dizer.
Apenas canta misérias do passado distante.

Suicídio?
Talvez.
A mesmice da vida não permite reconhecer,
Morte e vida se mesclam na mesmice.
Mataram-o.

sexta-feira, novembro 15, 2019

Passeio de domingo


Afinal, a vida não é só pesquisar. Nós da FMUSP passeando pela cidade nos caminhos que faziam as prostitutas dos anos de 1940, com uma historiadora e uma antropóloga nos acompanhando foi um ótimo domingo.



quinta-feira, abril 11, 2019

segunda-feira, março 04, 2019

Soneto XI: Pablo Neruda


TENHO fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado, [Emudecido]
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra, [faminto]
busco o som líquido de teus pés no dia. [no cotidiano]

Estou faminto de teu riso resvalado, [invento amor.]
de tuas mão cor de furioso celeiro, 
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas, [Tenho fome]
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa. 

Quero comer o raio queimado em tua beleza, [da tua beleza morena.]
o nariz soberano do arrogante rosto, 
quero comer a sombra fugas de tuas pestanas [Quero comer tuas pestanas]

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo [em outras,]
buscando-te, buscando teu coração ardente [e nelas]
com uma puma na solidão de Quitratúe. [só encontro SOLIDÃO]

Soneto XXIV: Pablo Neruda

Assim anda o meu amor,  sem eu.
ANTES de amar-te, amor, nada era meu:
vacilei pelas ruas e as coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que esperava.

E conheci salões cinzentos,
túneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que insistiam na areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caído, abandonado e decaído,
tudo era inalienavelmente alheia.

tudo era dos outros e de ninguém,
até que tua beleza e tua pobreza
de dádivas encheram o outono.

Pablo Neruda: Soneto XVII

Como afirmei, anteriormente, coloco os sonetos do livro - Cem sonetos de Amor, Pablo Neruda que me encantaram.

NÃO TE AMO como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


sábado, março 02, 2019

Meu Ano Novo

Hoje é o meu aniversário, liguei e enviei mensagens,
àqueles que estão compondo comigo,
a vida, a esperança e o dia-a-dia conflituoso.
de um país que destila desamor.

Mas, como hoje é meu aniversário,
reflito na vida e penso que isso se dá porque
as pessoas querem o que não lhes pertencem,então
querem o melhor do outro,  pois nada têm.

Vou vivendo plantando amigos, entre alguns
emergem inimizades ou desamor. Todavia,
estes também florearam minha existência.

Assim, sigo criando um jardim de flores
com diversas  cores, formatos e odores.
Sigo amando este jardim florido.


sábado, fevereiro 23, 2019

Vergonha

Estou refletindo como expressar,
a tristeza que me invadiu,
no momento em que Ele
recusou segurar as minhas mãos.

Minhas mãos que regam plantas,
mãos que cuidam dos doentes,
que preparam alimentos, e
alimentam os carentes.

Mãos fortes e macias, mãos
que cuidou de tantos que se foram,
Mãos que se estendem aos necessitados.

Mãos que já amparou Ele, mãos
que enxugou as lágrimas dele.
Mãos que nunca se negaram ao ato de cuidar.

Viagem à incerteza

As luminárias estabelecem-se no céu.
Raios de sol iluminam os mares.
Suas águas no vaivém
Silenciosamente se movimentam.

Danço no vaivém da água e,
com a melodia do vento,
que secretamente soletram
os desejos do seu coração.

Refém desses segredos, eu vou
percorrendo, canto a canto esse infinito,
na vulnerabilidade desse amor.

Tu apareces na margem nu.
Como um cravo a ser colhido.
Sem o motor vermelho pulsátil.

domingo, fevereiro 17, 2019

Almas perdidas

Um homem perdido,
ouve contos de fadas, criados e
contados por sua Nora,
que o detém com suas histórias.

Assombrando a noite dele, 

ela com sua palidez
narra seus contos de mentirinha,
petrificando-o nessa tortura.

Ele amedrontado,

esconde a cabeça no travesseiro
querendo dormir e apagar.

Ela deita ao lado dele e,
o seu corpo frio congela-o.
Acordam no Inferno de  Dante.