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segunda-feira, janeiro 13, 2025

sábado, janeiro 11, 2025

NEGRAS LÍRICAS

Esse é o título do livro que acabei de ler. A obra aborda a trajetória de duas cantoras líricas negras: Joaquina Maria da Conceição Lapa e Camilla Maria da Conceição. O livro foi escrito por Sérgio Bittencourt-Sampaio, publicado pela 7Letras, no Rio de Janeiro, em 2010, e possui 174 páginas.

Quando comprei o livro, imaginei que encontraria principalmente uma narrativa biográfica sobre a vida das duas cantoras. Entretanto, o autor amplia a discussão ao abordar a música lírica no Brasil e o processo de inserção dessas mulheres negras em um espaço historicamente elitizado e excludente.

Ao longo da obra, também são evidenciados diversos aspectos racistas presentes na sociedade brasileira da época, revelando como o preconceito atravessava a arte, os espaços sociais e o reconhecimento dessas artistas.

A seguir, deixo alguns trechos do livro que me chamaram atenção por evidenciarem conteúdos e discursos racistas daquele período.

Página 61

"A terceira actriz chama-se Joaquina Lapinha. É natural o Brasil e filha de uma mulata, por cujo motivo tem a pele bastante escura. Este inconveniente, porém remedeia-se com cosméticos. Fora disso, tem uma figura impotente boa voz e muito sentimento dramático."

"O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, durante permanência na província de São Paulo (começo o século XIX), delarou que, no teatro local, os atores, na maioria mulatos, eram artesões, e as atrizes, prostitutas."

O autor narra na pagina 62, primeiro parágrafo que "a pele escura era tida como defeito."

Esses dizeres encontrei enquanto ele escrevia sobre Lapinha.  

Ao retratar a Camilla Maria da Conceição não anotei frases, mas acredito que foram menos.

Essa leitura me clareia o que ainda temos na sociedade brasileira, quando olha para o negro. Para essa sociedade o negro deveria ainda estar submisso aos caprichos dos brancos. Entretanto, os negros estão sobressaindo, estudando, trabalhando em locais de destaque. Mas, muitos ainda estão no submundo. O negro que ascendeu, ainda busca o clareamento. Isso é triste.

segunda-feira, janeiro 06, 2025

O vendedor de sonhos

 Fui no teatro assistir a peça "O vendedor de sonhos".

A peça retrata um homem que deseja tirar a própria vida e, nesse percurso, encontra outro homem que passa a questionar os valores atribuídos à vida contemporânea. O discurso do ator conduz reflexões sobre o modo como vivemos, nossas prioridades e os sentidos que construímos para a existência. A partir desse encontro, inicia-se um diálogo em que ele tenta apresentar uma nova perspectiva ao personagem que sofre.

Há outras narrativas ao longo da peça, mas essa é a principal e a que sustenta o desenvolvimento da história. A proposta é interessante e provoca reflexões importantes; no entanto, o tema da saúde mental é abordado de maneira bastante superficial, especialmente por se tratar de uma questão complexa, atravessada por múltiplos fatores emocionais, sociais e subjetivos. O texto é de Augusto Cury.

Fui assistir com a amiguinha que arrumei para ser minha companheira de passeios — e isso acabou tornando a experiência ainda mais leve e especial.

     Lucia e eu.


sábado, janeiro 04, 2025

Diário

Será que escrever em um blog é como escrever no meu diário de papel? No papel, deposito as reações mais íntimas do humano diante da desumanidade. Aqui, a desumanidade aparece de forma um pouco mais doce. Ou talvez apenas mais suportável. Loucura.

Le canzoni

Le canzione non si scrivono ma nascono da sè
Son le cose che succedono ogini giorno intorno a noi
Le canzoni basta coglierle c'è una anche per te
Che fai più fatica a vivere e non sorridi mai.

Le canzoni ...

Bons momentos






Sentava aqui, ao final da tarde,
para apreciar a praia e os pescadores.

Nunca havia muitos banhistas,
como eles diziam por aqui.

Saudades...

Saudade, palavra perdida no tempo.
Saudade do bom momento vivido.
Saudade da vontade
de repetir o instante.

Observatório

Um dia claro.

A imagem refletida no óculos.

Tentou-se capturar
uma boa imagem.

ensimesmada


Ensimesmada



Extensão de mim

Não posso me atrever a falar demais dela, senão vou acabar amassando cacau... :)

Grifes

Sentada, olhando a natureza e ouvindo seu canto,
sou interrompida para fazer uma fotografia.

Faço a foto após todas as explicações sobre o enquadramento que ela desejava.

Pronto.
Ficou muito bom.
Ainda bem que gostou.

Volto a olhar a natureza.
Outra interrupção.

— Pena que não trouxe meu maiô da grife tal.

Escuto indiferente.

— Esse maiô vende no Shopping Cidade Jardim.

Interessante. Acho que nunca fui lá.

— Ah, você teria dificuldade para entrar. Lá só tem entrada para carros.

Já tive carro. Não fiz questão de continuar tendo.

— E com essa sua cor, vai ter muitos seguranças andando atrás de você.

Escuto aquilo irritada.
Não apenas interromperam meu silêncio, mas trouxeram consigo a brutalidade humana.

Em casa.

As grifes continuam presentes na conversa.
Às vezes penso que ela mantém uma relação quase psicótica com as marcas.
Talvez sejam apenas meus devaneios.

A outra.

— Vamos trabalhar. Precisamos deixar a casa limpa.

Elda, venha aqui.

— O que foi?

— Pegue a caixa dos gatos e limpe as fezes.

— Eu? Não tenho gatos nem cachorros para limpar fezes. Não vou fazer isso.

Lá fora,
a única normal observava a natureza
enquanto tomava uma cerveja.




sexta-feira, janeiro 03, 2025

Passagens

O tempo passa lentamente.

As mudanças nos fios do meu cabelo
lembram-me que o tempo passou.

Passam as estações,
muda o ano.

Só não mudam as lembranças,
alegres e tristes,
de sua passagem.

Suas aparições nos meus sonhos...

Acordo assustada.

É um sonho.