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domingo, junho 27, 2021

O verde desamado

Tantos questionamentos atravessam minha mente.

Ultimamente, vejo muitos brasileiros desejando ser europeus, japoneses, norte-americanos... qualquer coisa, menos brasileiros.

Todos deram seu primeiro choro nesta terra,
mas insistem em pertencer a outro lugar.

Há também essa constante repetição de que “não sabemos escrever português”, como se tudo aquilo que nasce aqui precisasse ser diminuído.

O que haverá de errado com esse povo?
Ou talvez: o que fizeram com esta terra?

Um lugar tão lindo.
Quase paradisíaco em muitos cantos,
mas profundamente desvalorizado.

Desvalorizam a natureza.
Matam a beleza existente
com a feiura de suas próprias ações.

Outro dia li uma frase de Mia Couto que me atravessou:

“Os ricos deveriam se envergonhar de existir tanta pobreza no mundo.”

E Boaventura de Sousa Santos frequentemente relembra que grande parte da riqueza europeia foi construída a partir dos saques coloniais.

Ainda assim, muitos brasileiros seguem autobiografando-se europeus...

Blá blá blá.

Que canseira tudo isso.

Quem dera um dia esta terra tão verde e tão amada
consiga dar a volta por cima.

domingo, junho 06, 2021

Outono


Essas pernas caminham.

Marcam histórias.

E descansam ao sol.

Novos outonos.



Uma mulher guerreira e forte


Hoje lembrei de você, Julia.

Na época em que esteve entre nós,
eu era a fotógrafa.
Por isso, quase não tenho fotos ao seu lado.

Ainda assim, lembro-me de cada clique
que fiz para manter sua memória entre nós.

Você foi uma guerreira.
Uma mulher forte.

Uma mulher que talvez nunca tenha ouvido falar em interseccionalidade
ou exclusão social,
mas que jamais se submeteu a elas.

Você sempre se rebelou.

Tanto que apelidou nossos vizinhos de
“os brancos”.

Na época, eu não compreendia completamente esse apelido.
Hoje entendo suas ações, seus enfrentamentos e sua leitura do mundo.

“Os brancos” podiam entrar nas casas dos pretos,
mas aos pretos não era permitido entrar nas casas dos brancos.

Essas lembranças me atravessam enquanto leio sobre interseccionalidade,
divisão de classes,
racismo
e o que hoje chamamos de marcadores sociais.

Você já enfrentava tudo isso
muito antes de existirem nomes acadêmicos para explicar.

E enfrentava com coragem.

Saudades de você.

Saudades da sua força.

Saudades da sua energia.

Saudades da sua cumplicidade.

Saudades boas.

Elda de Oliveira

Desnuda

             Do corpo à alma, me despi.  


                          Tocou-me minhas mãos.  


                                    Dormi.  


                                                     Sozinha.  


                                                                Sonhos e desejos abandonados.  


                                                                        Nua, sem desejos.  


                                                                                      Amanheci.

   

Elda de Oliveira

Mais natureza

Um pouco mais da natureza.
Um pouco mais dos humanos,
Um pouco mais da terra.
Um pouco mais do fruto da terra.
Um pouco mais de humanidade.