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domingo, junho 06, 2021

Uma mulher guerreira e forte


Hoje lembrei de você, Julia.

Na época em que esteve entre nós,
eu era a fotógrafa.
Por isso, quase não tenho fotos ao seu lado.

Ainda assim, lembro-me de cada clique
que fiz para manter sua memória entre nós.

Você foi uma guerreira.
Uma mulher forte.

Uma mulher que talvez nunca tenha ouvido falar em interseccionalidade
ou exclusão social,
mas que jamais se submeteu a elas.

Você sempre se rebelou.

Tanto que apelidou nossos vizinhos de
“os brancos”.

Na época, eu não compreendia completamente esse apelido.
Hoje entendo suas ações, seus enfrentamentos e sua leitura do mundo.

“Os brancos” podiam entrar nas casas dos pretos,
mas aos pretos não era permitido entrar nas casas dos brancos.

Essas lembranças me atravessam enquanto leio sobre interseccionalidade,
divisão de classes,
racismo
e o que hoje chamamos de marcadores sociais.

Você já enfrentava tudo isso
muito antes de existirem nomes acadêmicos para explicar.

E enfrentava com coragem.

Saudades de você.

Saudades da sua força.

Saudades da sua energia.

Saudades da sua cumplicidade.

Saudades boas.

Elda de Oliveira

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