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segunda-feira, junho 03, 2024

Machado de Assis e Courtney Henning

 Estava eu passeando pelas redes sociais quando me deparei com a notícia de que o escritor Machado de Assis e sua obra Dom Casmurro tiveram uma explosão de vendas na Amazon após a influenciadora Courtney Henning Novak comentar sobre o livro.

Courtney realizou o desafio “Read Around the World”, buscando ler escritores de diferentes países. Sua fala repercutiu entre os seguidores, viralizou na internet e chegou à mídia. É interessante perceber como o colonialismo ainda ronda a produção e a validação do conhecimento  - neste caso, atravessado pelo olhar norte-americano.

Penso que quem mais perde são aqueles que limitam o conhecimento às fronteiras do Norte Global, deixando de acessar a riqueza literária produzida em outras partes do mundo. A literatura brasileira sempre esteve aqui, potente e complexa, aguardando leitores dispostos a atravessar fronteiras culturais.

Parabéns à leitora que, ainda que sem essa intenção inicial, acabou apresentando Machado de Assis a muitos americanos.


domingo, junho 02, 2024

Racismo nas máquinas fotográficas

 Assistindo uma aula da pesquisadora Londa Schiebinger, da Stanford University:

Fonte: Aula da Elsevier
Mais sobre a professora:  University








Tive acesso a essa informação assistindo a aula da professora que falou sobre as fotografias e o racismo. Em uma rápida busca na internet ví alguns artigos: Sob a luz tropical: racismo e padrões de cor da indústria fotográfica no Brasil  O texto traz a descoberta dos fotógrafos ao clicar sobre a pele negra, usando a KODAC.  https://revistazum.com.br/revista-zum-10/questao-de-pele/  "Independentemente da calibragem configurada para imprimir as fotos, a reprodução de peles mais escuras apresentava uma coloração indistinta, pálida, ou tão próxima do preto que só o branco dos olhos e dos dentes exibia algum detalhe. "

Shirley e suas companheiras"

"As Shirleys não eram um fenômeno isolado. As Moças das Cores (ou Color Girls) da televisão e as China Girls do cinema (também conhecidas como “bonecas” ou “cabeças de moças”), sempre de pele clara, determinaram por décadas o padrão de balanceamento de cores." 

As pesquisadoras não são mulheres negras gritando que não aparecem bem nas fotografias. Mas, fotógrafos e pesquisadoras brancas e/ou pretas que discutem a paleta de cores na fotografia, onde o padrão da pele clara estava "codificado na materialidade da emulsão de filme analógico". Esse fato merece mais conhecimento. Eu pasmei porque eu não consigo ser apreendida na foto que o mercado livre solicita para que possamos realizar as compras no site. Já tentei diversas vezes, mas ele não me reconhece, solicita mais luz.