Sentada, olhando a natureza e ouvindo seu canto,
sou interrompida para fazer uma fotografia.Faço a foto após todas as explicações sobre o enquadramento que ela desejava.
Pronto.
Ficou muito bom.
Ainda bem que gostou.Volto a olhar a natureza.
Outra interrupção.— Pena que não trouxe meu maiô da grife tal.
Escuto indiferente.
— Esse maiô vende no Shopping Cidade Jardim.
Interessante. Acho que nunca fui lá.
— Ah, você teria dificuldade para entrar. Lá só tem entrada para carros.
Já tive carro. Não fiz questão de continuar tendo.
— E com essa sua cor, vai ter muitos seguranças andando atrás de você.
Escuto aquilo irritada.
Não apenas interromperam meu silêncio, mas trouxeram consigo a brutalidade humana.Em casa.
As grifes continuam presentes na conversa.
Às vezes penso que ela mantém uma relação quase psicótica com as marcas.
Talvez sejam apenas meus devaneios.A outra.
— Vamos trabalhar. Precisamos deixar a casa limpa.
Elda, venha aqui.
— O que foi?
— Pegue a caixa dos gatos e limpe as fezes.
— Eu? Não tenho gatos nem cachorros para limpar fezes. Não vou fazer isso.
Lá fora,
a única normal observava a natureza
enquanto tomava uma cerveja.
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