Pesquisar este blog

sábado, janeiro 04, 2025

Grifes

Sentada, olhando a natureza e ouvindo seu canto,
sou interrompida para fazer uma fotografia.

Faço a foto após todas as explicações sobre o enquadramento que ela desejava.

Pronto.
Ficou muito bom.
Ainda bem que gostou.

Volto a olhar a natureza.
Outra interrupção.

— Pena que não trouxe meu maiô da grife tal.

Escuto indiferente.

— Esse maiô vende no Shopping Cidade Jardim.

Interessante. Acho que nunca fui lá.

— Ah, você teria dificuldade para entrar. Lá só tem entrada para carros.

Já tive carro. Não fiz questão de continuar tendo.

— E com essa sua cor, vai ter muitos seguranças andando atrás de você.

Escuto aquilo irritada.
Não apenas interromperam meu silêncio, mas trouxeram consigo a brutalidade humana.

Em casa.

As grifes continuam presentes na conversa.
Às vezes penso que ela mantém uma relação quase psicótica com as marcas.
Talvez sejam apenas meus devaneios.

A outra.

— Vamos trabalhar. Precisamos deixar a casa limpa.

Elda, venha aqui.

— O que foi?

— Pegue a caixa dos gatos e limpe as fezes.

— Eu? Não tenho gatos nem cachorros para limpar fezes. Não vou fazer isso.

Lá fora,
a única normal observava a natureza
enquanto tomava uma cerveja.




Nenhum comentário: