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sábado, janeiro 11, 2025

NEGRAS LÍRICAS

Esse é o título do livro que acabei de ler. A obra aborda a trajetória de duas cantoras líricas negras: Joaquina Maria da Conceição Lapa e Camilla Maria da Conceição. O livro foi escrito por Sérgio Bittencourt-Sampaio, publicado pela 7Letras, no Rio de Janeiro, em 2010, e possui 174 páginas.

Quando comprei o livro, imaginei que encontraria principalmente uma narrativa biográfica sobre a vida das duas cantoras. Entretanto, o autor amplia a discussão ao abordar a música lírica no Brasil e o processo de inserção dessas mulheres negras em um espaço historicamente elitizado e excludente.

Ao longo da obra, também são evidenciados diversos aspectos racistas presentes na sociedade brasileira da época, revelando como o preconceito atravessava a arte, os espaços sociais e o reconhecimento dessas artistas.

A seguir, deixo alguns trechos do livro que me chamaram atenção por evidenciarem conteúdos e discursos racistas daquele período.

Página 61

"A terceira actriz chama-se Joaquina Lapinha. É natural o Brasil e filha de uma mulata, por cujo motivo tem a pele bastante escura. Este inconveniente, porém remedeia-se com cosméticos. Fora disso, tem uma figura impotente boa voz e muito sentimento dramático."

"O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, durante permanência na província de São Paulo (começo o século XIX), delarou que, no teatro local, os atores, na maioria mulatos, eram artesões, e as atrizes, prostitutas."

O autor narra na pagina 62, primeiro parágrafo que "a pele escura era tida como defeito."

Esses dizeres encontrei enquanto ele escrevia sobre Lapinha.  

Ao retratar a Camilla Maria da Conceição não anotei frases, mas acredito que foram menos.

Essa leitura me clareia o que ainda temos na sociedade brasileira, quando olha para o negro. Para essa sociedade o negro deveria ainda estar submisso aos caprichos dos brancos. Entretanto, os negros estão sobressaindo, estudando, trabalhando em locais de destaque. Mas, muitos ainda estão no submundo. O negro que ascendeu, ainda busca o clareamento. Isso é triste.

domingo, novembro 11, 2018

Blue Jay

Diretor: Allex Lehmann
Escritor: Mark Duplass
De 2016
  • SINOPSE
Dois ex-namorados se encontram na cidade onde passaram a adolescência e cursaram juntos o ensino médio. Nesse período, foi quando ela ficou grávida e ele por imaturidade não quis responsabilizar-se pela gravidez. Ela então, faz aborto e segue a vida. Passado o tempo, ambos se encontram e refletem as decisões tomadas e as influências da decisão na vida dos dois. Pelo que parece, os dois não estão satisfeitos com a vida atual. 
Filme que retrata a vida e as escolhas que fazemos. Toda história se dá entre um casal fazendo reflexões sobre o passado, mas vivendo o instante, de forma apaixonante. Eu li algumas criticas sobre o filme, parece que alguns não conseguem ver beleza na simplicidade. Parabéns a todos que participaram do filme, de uma forma simples conseguiram tocar no profundo, as nossas decisões.

O ator  Mark Duplass tem um rosto singelo e caiu super bem pra ele o papel que realizou. Sarah Paulson já não tem um papel tão singular como Mark. De meu ponto de vista, Mark foi o que deu no filme a singularidade da simplicidade e beleza.  Vale a pena assistir.