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terça-feira, fevereiro 12, 2019

De passagens

A chuva,
   o vento, 
       o sol, 
           a lua
               passam.

As paixões,

    os amores,
        as decepções
            passam.                       A vida 
                                                      e nós 
                                                         passamos.                                                           

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

Son of Saul – o filme

O filme é triste. Para assistir, dividi em dois momentos.  Escrevo essas linhas para reflexão.

A função do Saul era trabalhar no campo de concentração como “Sonderkommand”. Nessa função, executava as piores tarefas, tais como, acionar as câmeras de gás, colocar os corpos dos judeus na máquina de moer ossos e limpar as câmeras e máquinas.  Enquanto assistia, fiquei pensando na maldade do humano. O que o homem não foi capaz de fazer, ou é capaz de fazer, para se tornar superior. Creio ser por isso, que os alemães escondem essa atrocidade, presentes nas veias de cada um deles.  Fiquei pensando, como Deus cumpre as promessas. Ele prometeu a Abraão, que os judeus iriam se espalhar sobre a terra.  Embora, com todas essas atrocidades, este povo se mantém em pé. Além disso, não são pobres. Como dizia um judeu amigo para mim:
Os judeus venceram, mas para isso, uniram-se e lutaram para não serem exterminados da terra

Este judeu havia resistido ao campo de concentração. Ele tinha a marca que os judeus recebiam dos alemães. Alguns de seus parentes morreram nos campos de concentração. Ele também, fazia uma relação dos judeus com os negros. Ele dizia:
Os negros matam uns aos outros, os negros não se respeitam, os negros não se unem enquanto raça para mudar a situação social no qual se encontram.

Hoje, me aprofundando nas questões sociais e, nas dinâmicas realizadas pelos sujeitos para se sentirem superiores, concordo com a fala desse judeu. Fazendo uma relação do filme, principalmente, de Saul com alguns negro/as da atualidade, acredito que eles não fariam o mesmo. Do meu ponto de vista, pensariam apenas em salvar a própria pele. Não pensariam em rabino ou pastor, para uma oração no sepultamento do filho, dado que a morte naquele espaço, estava regularizada e simplificada. Penso que, alguns fariam como tantos outro/as, os quais viram as costas para suas origens e são cooptados pelo embranquecimento e classismo, com o objetivo de serem inclusos socialmente. 

Atualmente, está havendo um movimento social, em que os negros têm buscado a inclusão social e lutado pela dívida que a sociedade tem para com eles. Em vista disso, escuto afirmações, tais como, os negros querem privilégios. Se de um lado, há os negros que lutam pela inclusão social com justiça. Por outro lado, há os que rompem com suas raízes buscando mobilidade social. Inclusão e mobilidade  social questionáveis, dado que, trazem na pele o marcador social da diferença, independente do lugar que ocupam.  Como  mulher negra, acredito na transformação da sociedade.  Concordo com os profetas do tempo, um dia, "o povo do Norte pedirá abrigo ao povo do Sul," enquanto isso, vamos caminhando, buscando fazer diferença por onde andarmos.


segunda-feira, janeiro 28, 2019

Morrer








Ontem foi o último dia do Sr. Vicente na Terra.

Hoje, ele desfruta de um segredo:
a morte.

Segredo pelo qual todos passaremos.

A morte é uma passagem individual
e inevitável.

Não escolhe raça, cor, idade,
classe social, local de moradia
ou país.

Viver é ter a certeza
de que a morte nos ronda.

sábado, dezembro 29, 2018

Pensando

Há uns seis anos atrás, chorava pela partida da Julia. Tantos não entenderam a minha dor. Eu finalizava o doutorado e ao mesmo tempo tive que entender e aceitar a perda dela. Entre esse evento, uma pessoa que dizia me amar, no céu e no inferno, me enviou para o inferno das lágrimas solitárias e da perda para a morte de Julia.

Tenho saudades, mas ao mesmo tempo sei que temos na vida um tempo determinando. Nesse tempo, temos que fazer aquilo que nos agrada, viver com quem nos respeita e amar muito. Eu vivo a vida procurando o amor. Aquele amor bíblico de 1 Corintios 13, mas não encontro o amor de perdição...

Estamos vivendo dias perturbadores. Dias em que não sei em quem poder confiar. Dias que são ruins nos relacionar, então, muitas vezes, fico sozinha frente a este computador, escrevendo escondidinho ao mundo. Escondidinho porque não penso em me tornar famosa por escrever um blog, mas penso em não gastar papel e lugar na estante por registrar meus pensamentos.

quinta-feira, novembro 15, 2018

Houve um tempo

Em que éramos amadas,
Tempo que sentíamos os abraços.
Abraços que acolhiam

Os sonhos.
Neles tornávamos mais amáveis,
Construtores de futuros.

Houve o tempo.
Que os humanos eram bons,
Que construíam realidades,

Houve esse tempo...

domingo, novembro 04, 2018

Tempos modermos

O tempo em que vivemos, não está fácil, principalmente, para nós que moramos em um país que foi colonizado para exploração, e, ainda hoje, não conseguiu romper com ações de explorações, seja interna ou externa. Adicionado a esse fato, existe o consumismo e o individualismo exagerado midiatizado como uma religião. Nessa direção, as pessoas buscam se individualizar, com produtos que lhes deem prestígios. Estes prestígios não diferem se beneficiarão o próximo ou se irão encaminhá-los para o abismo.

Na Universidade isso não é diferente, de professores universitários, que já estão em evidências, à alunos de iniciação científicas, todos querendo o primeiro lugar. Triste é que há espaço apenas para um no primeiro lugar, todos os que participaram para que o trabalho fosse realizado, são desprezados e ignorados, inclusive, para o momento de oferecer parabéns. É uma triste realidade de nossa época.

É necessário entender, não há quem vença sozinho, o trabalho é grupal, é cooperativo. Pesquisadores, alunos, cientistas e pais precisam ensinar aos seus seguidores que o sucesso se faz em grupo. Inclusive, homens e mulheres que são parceiros, maridos, cônjuges, relações afetivos - precisam entender o valor da parceria, e valorizar o outro, para além do corpo.

domingo, agosto 05, 2018

Andando pela cidade

Passeando pelas ruas de São Paulo, observo os passantes que correm inclusive no momento de diversão. Penso...  Por que será que tanto correm? Correm para pegar o ônibus, correm para entrar no metro. Toda essa correria competindo com o tempo que não para e nem espera. Correm para chegar no escritório e sentar e pedir silenciosamente ao tempo que passe rápido.


Baudelaire nos diz "deveis andar sempre embriagados. Tudo consiste nisso: eis a única questão. Para não sentirdes o fardo horrível do tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso."

Com toda certeza os apressados de São Paulo não estão embriagados. Estão correndo atras do "ventempo". Entro no Centro Cultural da Paulista. Solicitam que deixe minha bolsa porque talvez correm o risco de perderem um livro de fotografia. Largo a bolsa no bolseiro. Rodo olhando as fotografias nos grandes livros. Não me interessou,naquele momento, aquelas fotos. Após largar os livros, vejo uma moça com bolsa grande e um guarda chuva se despedindo de um homem.

Vou no Centro Cevantes, quem sabe vejo um filme gratuito em espanhol. 


Desculpa senhora a exibição foi ontem. Hoje tem um musical, um mexicano transportou a música popular mexicana para  música clássica. Certifique-se que estou falando em clássico. Não sei se vais gostar. Digo: não, não estou a fim de pagar, queria mesmo o cinema grátis.


A certeza que eu não iria gostar, me irritou ao escutar aquele narrador.  Volto para casa e me ponho a escutar músicas clássicas que me ninou até às 03 horas da manhã. Acordo lembrando da narrativa do recepcionista do Cevantes. "É musica clássica."  Penso.  Talvez o recalque tenha sido por achar que eu deveria gostar de hip hop, funk, ou sei lá o que, ou talvez devido a cor de minha pele. Fiquei na dúvida, mas guardei a dúvida para escrever essa narrativa. 

Uma narrativa que acredito que poucos leem, o que me deixa bem a vontade de escrever. Além disso, não gasto papel e nem ocupo espaço em casa. Adormeci. Acordei com o toque da campainha do apartamento. Era o Marco chegando para finalizarmos o artigo - a interseccionalidade de raça-classe-gênero no campo da saúde coletiva.  Quiça escrevemos sobre interseccionalidade nos passeios culturais noturnos.

segunda-feira, julho 30, 2018

Rio de Janeiro e nós duas

Cristo Redentor
Ponte e rio


Dispensa Legenda

Ivone e eu

Ivone e eu
O Rio de Janeiro é maravilhoso. Lindo. A natureza é espetacular.
Tudo bom, exceto alguns moradores que não se igualam a natureza.


sábado, dezembro 30, 2017

Último sábado de 2017

Choveu o tempo todo. 
A chuva limpava nossos telhados.
Levou para os rios as sujeiras que fizemos no ar.
Resumir um ano é o mesmo que fechar um capítulo da tese. 
Dependendo do objetivo os capítulos vão sendo escritos. 
O meu objeto é trazer Jesus e o seu amor. Então, é uma longa jornada.

sábado, dezembro 23, 2017

Contagem regressiva para 2018

O ano está findando.
Cá estamos novamente soltando fogos.
Cá estamos desejando Feliz Festas.

O tempo  parece que encurtou. Os cientistas dizem que não.
É apenas mais curto para os apressados.

Ano passado fiz alguns planos que consegui alcança-los. Outros parecem que estão gestando desde quando nasci. Eu sou persistente, não desisto. A única coisa que poderá me fazer desistir é a morte.

Eu continuo acreditando que um dia o Brasil vai ficar melhor. O povo será mais educado.
Continuo acreditando no Amor, embora tenha um coração que sempre me trai.

Continuo escrevendo no blog, sem se importar com quem venha ler.
Acredito que o melhor de nós é dado a nós mesmos. "Estranho" mas real.

Tudo isso para desejar aos passantes.


FELIZ FESTAS


Que venha 2018 e muitos papers para serem publicados... 

Pós-graduação

Fazer pós-graduação é um momento difícil. A folha publicou a reportagem no link abaixo  sobre os problemas enfrentados pelos orientandos. Alguns chegam a suicidar-se. Veja

http://m.folha.uol.com.br/ciencia/2017/12/1943862-estudantes-de-mestrado-e-doutorado-relatam-suas-dores-na-pos-graduacao.shtml?utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=fb-uol&utm_content=geral

DEPOIMENTO
Quando  estava fazendo doutorado, várias coisas aconteceram na minha vida. Entre essas coisas, o que mais causou sofrimento foi  descobrir o câncer de pâncreas da Julia (minha mãe). Após três meses da descoberta ela dormiu para sempre.  Eu me lembro de estar traduzindo textos e chorando. Lendo chorando. Deprimi total.   Foram momentos de muita dor. Algumas pessoas que estavam ao meu lado não entenderam. Eles achavam que eu apenas ficava triste e me tornado briguenta. Os "ensimesmadxs" não entenderam que fazer o doutorado e ver a mãe morrendo é uma dor insuportável. 

Além disso, estava estudando um novo objeto. Sofria para entender. Tinha pressão de todo lado. Quando finalizei o doutorado. Olhei no espelho -  havia envelhecido e com poucas pessoas ao meu redor. Muitos haviam partido. Eu chorei, mas valeu a pena. 
Vale sofrer pela causa que acreditamos.

Caso você esteja ao lado de um doutorando, mestrando entende-o. É um momento difícil demais.



quinta-feira, dezembro 14, 2017

Com Amor, Van Gogh

Ontem, no período da tarde, assisti ao filme Van Gogh. Fiquei impressionada com a ideia transmitida da suspeita de que alguém o tivesse matado. Também me impressionou em saber que a mulher o qual ele teve alguns lances de relacionamentos, viveu 44 anos com o quadro que ele pintou em seu quarto e não teve nenhum outro relacionamento.

Será que apenas naqueles tempos as pessoas realmente declaravam amor e amavam de verdade?
Quem me dera meu coração não ser um traidor.  

Também me chamou atenção que após ser ou ter-se baleado ele chama o Theo para conversar sobre a vida e não sobre a morte.

Esse foi realmente, um homem que viveu a sua frente no tempo. Além disso, foi um homem que se estivesse hoje vivo, também não o compreenderíamos. 

Enfim, vale a pena assistir ao filme. Totalmente, desenhado a mão.



terça-feira, outubro 10, 2017

Unidos para transformar o mundo

 Unidos pensando em como transformar o mundo. Projetos, projetos  e escritas. Desenhos, músicas, Hermenêutica e vamos em frente.
Referêncial: Bourdieu.


sábado, setembro 02, 2017

O Facebook

O Facebook é um lugar de narrativas. As narrativas ocorrem de diversas formas. O que me chama atenção é - às pesquisas nacionais e internacionais destacam que, as pessoas estão cada vez mais sentindo-se deprimidas, consomem anti-depressivos, há o aumento do suicídio e assim por diante. Todavia, quando entramos no Facebook temos uma ilha dos prazeres. Há postagens de todos os tipos de felicidades. Pessoas discursando suas felicidades. De fotografias "selfs" à belíssimos lugares como se o mundo estivesse no paraíso. 

A construção Paradisíaca do Facebook contradiz a realidade. Fico me perguntando: Qual o motivo dessa "nova" construção do real? No momento em que o sujeito senta na frente do Facebook ele está construindo um mundo o qual gostaria de viver; ou está tratando sua dor? Para quem são postadas as mensagens no Facebook? Há outros questionamentos; todavia fico nestes.

Alguns podem achar essa conversa como blá blá blá. No entanto, falo de minha própria experiência que faço diálogos com algumas pessoas, que na realidade estão em frangalhos. Contudo, ao passar por seus espaços no Facebook lá a vida é maravilhosa. Há pessoas que dizem ser marxistas "de nascimento", mas nas atitudes cotidianas são mais mercenários que o dono da maior empresa mundial. Pessoas que afirmam marxistas e fazem do espaço público um espaço privado, meritocrático. Vivemos uma contradição. Diante de tantas incoerências, me pergunto, que mundo estamos construindo, aonde vamos chegar.

São reflexões que não querem se calar. Minha atitude frente ao Facebook e a vida contraditória são - não postar nada no Facebook e investigar o sofrimento psíquico que está assolando às pessoas que chegam em massa na Atenção Primária à Saúde.

quinta-feira, julho 06, 2017

Sem título

Modernidade para alguns prisões para outros.
Os negros estão nas prisões, ou
matando um ao outro.
Os que sobressaíram-se
negaram suas raízes e, confortavelmente,
foram deitar-se com mulheres brancas,
buscando a inclusão...

Que inclusão?
Inclusão nas citações.
Citam-os que eles venceram.
Venceram por embranquecer-se.
A mulher ao lado se autodenomina - mussarela.
Pensa ela, ser ele faminto com desejo de comê-la
como um queijo amanhecido.




terça-feira, julho 04, 2017

Amigo


Não sei mais o significado da palavra: Amigo

segunda-feira, junho 12, 2017

Cotidiano

Voltei a ler Albert Camus. É incrível cada releitura, nova descoberta.
A vida é realmente, simples, se descomplicarmos.
Acho que, o mais complicador da vida, é -
Deixarmos que outros venham a tomar nossas decisões.
Pessoas que não sabem nem de si, e querem nos descomplicar.
Pessoas que não se amam - é querem amar o próximo.

Acho que Camus vai nos descortinando algo semelhante.

domingo, maio 28, 2017

Minimalista

Eu sempre tive a ideia de que devemos ter e obter somente o que é indispensável para viver no cotidiano. Alguns me diziam que minha casa não tinha nada, era fácil de limpar e assim por diante.
Hoje entrei em contato com os minimalistas. Curti.
O mundo capitalista nos coloca de frente com tantas quinquilharias que achamos que precisamos e saímos loucamente ás compras. Não deixei de comprar, mas penso mais de dez vezes se realmente aquele produto é necessário.

Neste tempo, estou organizando os livros. Adoro livros. Gosto de ler. Discutir a leitura. Difícil desapegar, mas estou conseguindo. Quem sabe, futuramente, colocarei aqui uma foto.
Apenas compartilhando, com os interessadas e os passantes o que está acontecendo na minha vida.

sexta-feira, dezembro 30, 2016

Resumindo 2016

Conheci algumas pessoas interessantes e que fizeram diferença na minha vida. A primeira foi Olinda Ruiz que me introduziu um tema de pesquisa e me apresentou a Márcia Couto. Essa última,  abriu a porta para o pós-doutorado na FMUSP. A partir delas foi possível chegar à interseccionalidade. 
Conseguimos realizar duas publicações, resultado do doutorado. As duas publicações em revistas indexadas, revisadas por pares e com classificação B1 e A2. Isso é bom.
Acompanhei o desenvolvimento dos alunos na saúde coletiva em duas faculdades particulares. Infelizmente, ainda não consegui entrar em uma universidade não particular. Continuo na batalha.
Frequentei ao grupo de pesquisa, não assiduamente.  Estava e estou me ocupando de um outro objeto de estudo.

Congregar com alguns era um dos objetivos de 2016. Este objetivo foi alcançado, embora minha participação é tímida.

Consegui trazer alguns amigos que estavam longe para perto, ainda que, às vezes, eu os coloque longe de mim.

Bem, somente essas coisas posso tornar pública. Várias outras coisas sucederam, mas somente minhas memórias a beira leito pode saber.


Obrigada a todos os que fizeram parte da minha vida neste ano. Foi um ano bom. Um ano de pequenas conquistas. Considera que aos poucos consigo chegar na finalidade da existência.

O professor Clóvis de Barros diz que a finalidade da existência é a felicidade. É o existir para ser feliz em sintonia com o universo, considerando o pensamento grego. Levando em consideração esse raciocínio – estou cooperando para o universo caminhar em harmonia.

quarta-feira, dezembro 07, 2016

Perda: Julia de Oliveira

A quatro anos perdi ela para a morte.
A morte que bate à porta silenciosamente,
Não nós dá tempo de arrumar as malas.
Embarca-se em um trem sem volta.

Quando nascemos já temos o bilhete da volta.
Todavia, não sabemos o momento do embarque.
Para tanto, todos os dias devemos estar prontos,
Para que quando este momento chegar
Partimos em paz com os que fizeram parte de nossa vida.

Ela partiu sorrindo e nós sentimos saudades.
Saudade boa, que traz à memoria apenas o que dá prazer.