Silêncio.
Sons apenas dentro da minha cabeça.
Às vezes, as vozes dos cachorros.
Não.
Não foi uma escolha.
Foi o destino que silenciou.
Dialogo com autores
que também foram silenciados.
Tantas conjecturas atravessam minha mente.
Com quem expor tais ideias?
Penso, ensimesmada.
Pela telinha, vejo o mundo desaguando.
Que medo.
Na verdade, não medo.
Tristeza.
O homem roubou o espaço da natureza.
E ela parece revoltada.
Quer de volta aquilo que lhe pertence.
Minha maior preocupação
é pensar nos espaços que já tomei
- ou naqueles que deixei de ocupar.
O melhor talvez seja permanecer quietinha,
observando a natureza se revoltar
contra o homem
que roubou seu espaço.
Rio Grande do Sul.
Enchentes.
2024.
Elda de Oliveira
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