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quinta-feira, fevereiro 07, 2019

Troca

Ele rompia com as mulheres.
Em cada troca,
elas deixavam com ele,
 alguns pertences.
Vestidos. Casacos. Calçados.
Perfumes.  Acessórios.
Lentamente.
O guarda-roupa dele tornava-se feminino.
Preenchido totalmente.
Ele escolhe entre as peças, 
aquelas que lhes caem melhor
E sai.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

O meu coração está frio!

Caminho pelas ruas.
Sem saber por onde vou.
Busco o meu Amor em cada rosto e,
Por todos os lados da cidade.
Os rostos estão cobertos com véus.
Véus que não  permitem que eu enxergue.

Busco o encanto, encontro [desen]canto.
Todos os cantos relembram,
O meu amor roubado.
Busco você nas artes;
Escuto orquestras, violinos e cantos.
Olho entre todos, você não está.

Na tua procura estou congelando.
Meu corpo já não quer continuar.
Volto para casa!
Olho pela janela.
A janela relembra sua partida.
O momento da minha morte!

Já não posso te tocar.
Não posso te dar as mãos.
Não consigo segurar em tuas mãos.
O meu coração está congelando.
Não posso tocar em tua face é dizer "menina linda".
Porque o meu coração está frio.

Vejo os emaranhados das teias de aranhas na casa;
Elas contabilizam o tempo de sua partida.
Minhas mãos não conseguem levantar;
Já não tem sentido. Nada tem sentido.
Não tem sentido limpar esta casa e,
Adornar a mesa para brindar o nosso Amor.

Levanto meu olhar. Vejo  as paredes sem fotografias.
Retirei, rasguei e apaguei nossas fotografias.
Traziam tristezas e saudades. Você já não está aqui.
Partiu e levou meu coração como bola vermelha,
Para brincar de aquecer corações: em controvérsias.  
Tudo morreu, quando meu coração congelou.


Não tenho mais forças.
Não consigo levantar, escrever e mesmo falar.
Você busque que eu fale de nós dois.
Eu não sei falar  desse assunto.
Estou trancado dentro de mim.
Estou morto.  Estou morto, morto, morto.
  
Faz tempo que morri, mas não sabia.
Percebi apenas com a sua chegada e ao tentar me dar mãos.
A morte não permite movimentos,
Nem mesmo os de caricias.
Queria dizer-te que foi bom.
Mas, minha boca está tamponada.

Nesta penúria, ao meu lado ela.
A Morte: branca, incolor e fria.
Beija-me no rosto, nos lábios,
Deita-se ao meu lado buscando esfriar-me.
Nem ela reconhece que estou frio e MORTO.

Eu não posso te dar as mãos!

sexta-feira, março 29, 2013

História por finalizar

Contava-me sua história de vida

Meu cotidiano se enchia do seu

Meus olhos brilhavam no seu

E a história caminhava.



No meio de toda história

Você diz que se apaixonou

Tira seu cotidiano do meu

Desaparece entre a multidão.



Busco o final da história

Sua história recontada

Nossa história

Ainda não finalizou!

sábado, março 23, 2013

Devolva-me


Perdi minha identidade no seu mundo.
Destruí meu processo histórico no seu cotidiano.
Olhas e alegre jogas com meu coração.
Chorando e andando faço oração.

Invento felicidade a prazo
Procuro razões para ficar ao seu lado.
O tempo voa envelheço nessa porção
Da aliança rompida em seu coração.

Ah! Devolva-me a vida.
Deixe me partir sem rancor
Com o sol raiando na minha alma comovida.

Não ocultes sua inverdade ouvida.
Arma sua tenda no coração do seu amor
Liberte-me da escravidão dessa vida.

segunda-feira, março 18, 2013

Presente



Entreguei-lhe uma rosa vermelha.
 Seus olhos brilharam.
Na reluzente rosa vermelha,
Meus olhos se envergonharam.

De seu néctar saiu à abelha
Que silenciosamente aplaudiram.
A rosa ao banco vermelha.
Murcha!  No banco estiraram.

A rosa de muito vermelha.
Chorando e vermelha.
Sem água largaram.

A rosa vermelha,
Seca, mais ainda vermelha.
Suas mãos acariciaram.

sábado, março 16, 2013

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.



Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!



Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe 


Fernando Pessoa

quarta-feira, março 06, 2013

Nossos campos

Quando nossas mãos se encontraram
Nossa energia invadiu meu coração.
Nossos dedos se entrelaçaram
Nossa energia me capturou.

Senti sua frequência
Meu coração descompassou
Buscou o seu ritmo
Aquietou-se.

Minha pele em sua pele,
Um campo elétrico circulante
Acelera nossos fluídos
Águas fluem de nós dois.

sexta-feira, julho 22, 2011

Perguntas De Um Operário Que Lê

Quem construiu Tebas, a das sete portas?


Nos livros vem o nome dos reis,

Mas foram os reis que transportaram as pedras?

Babilònia, tantas vezes destruida,

Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas

Da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde

Foram os seus pedreiros? A grande Roma

Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio

Sò tinha palácios

Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida

Na noite em que o mar a engoliu

Viu afogados gritar por seus escravos.



O jovem Alexandre conquistou as Indias

Sòzinho?

César venceu os gauleses.

Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha

Chorou. E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos

Quem mais a ganhou?



Em cada página uma vitòria.

Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?



Tantas histórias

Quantas perguntas

Bertolt Brecht




sábado, novembro 06, 2010

Caminhos

Caminhar alcançar o longe de outrora,
Pegadas ora marcadas, ora apagadas.
A morte expiando e ceifando,
A vida gerando e celebrando.

A vida imaginada
Brinda a chegada.
O futuro aguarda
Expiado e celebrado.

terça-feira, outubro 20, 2009

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
(“Mãos dadas”, Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, setembro 23, 2009

A instabilidade das cousas do mundo

Gregorio de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

quarta-feira, julho 01, 2009

Livros e flores

Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
.
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?
Machado de Assis

segunda-feira, junho 22, 2009

"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."

Clarice Lispector

segunda-feira, maio 18, 2009

PROPOSTA

Desejo fazer-te uma proposta
Que de modo nenhum será indecorosa

Vamos sempre nos corresponder
Tu me contas o que em ti se passa
E eu relato o que me acontecer

E ficamos para sempre unidos
Assim como o espinho e a rosa

Seremos quase o mesmo ser
Guardaremos a sete chaves
Os nossos segredos
Os nossos enredos
E até os nossos medos

Contando sempre
Um com o outro
E ouvirei sempre
O que disseres
Somente a mim
Sem abrir para ninguém
Farei assim
Se tu quiseres

E seremos cúmplices diferentes
Pois além de sermos réus confessos

Ao mesmo tempo seremos inocentes!

Lourdes Ramos

sexta-feira, março 20, 2009

LIBERDADE DA RAZÃO

Pensar já não adianta
Minha mente cansou
Pensa em círculos; não muda
Esta rodando como um CD riscado.

Quero libertar-me do pensar
Estacionar minha mente repetitiva
Soltar-me dos pensamentos
Deixar meu corpo ir sem pensar.

Gritar! Liberdade; a liberdade
Fluir como o próprio mar
Que meu limite seja meu próprio limite
Ignorar este mundo asneiro.

Loucos; loucos são esses passantes
Loucos por suas verdades
Mentem até seus amores
Amores brutais desleais.

Ilusionistas; sonâmbulos
Não acordam ao pôr do sol
Caminham impregnados
Impregnados por suas verdades.

Verdades; mentiras bem contadas
Amores prisioneiros delirantes
Maldito o fruto desses ventres
Espalhados contaminando a Terra.

Dissociados; delirantes da razão
Razão da mentira re-contada
Cantam com lágrimas aos olhos
A triste miséria vivida.


LaLuSol

sábado, fevereiro 21, 2009

Memórias

És como pássaro na minha janela;
Cantando melodias de ti;
Vinte e quatro horas ao dia.

Relembro suas formas;
Seu rosto; seu sorriso; seus toques
Vejo-te em todas as partes.

Minha memória está saciada
Repleta de sua imagem,
E Sabor, e odor.
.
Sonho cinco minutos
Capazes de findar a noite
Eternizando esse momento.

.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Ao meu amor!

Oh! Meu bem querer
Meu pequeno príncipe.
Outrora menino; agora rei
Venceste!
.
Ganhou meu coração
Meu pequeno adorável.
Concedo-lhe a chave dos meus sonhos
Entrelace-os e sejamos felizes.
.

A menina de cima do muro

Afirmaram ser mulher; asseguram um ser atual
Olha a vida e os passantes de cima, do alto;
Tem vista ao todo em tempo real;
Lê os códigos decodificando-os.

A menina de cima do muro
Transforma os passantes em estrelas; que
Expressam a vida em palavras, atos
Significando a vida um jardim.

Diriam ter ela pássaros mensageiros
Com cartas inspiradas por poetas
Fragrância, e sabor do corpo.

O pássaro não canta; encanta.
Cantam; os passantes de prazer
Ao receberem suas cartas de amor.

.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Existo resisto

Passado escravo
Do recessivo branco Livre
Liberdade sem piedade
Sai do cárcere para reinar.

Pele macia fibrosa
Oculta meu interior
Continuamente renovada
Muralha as agressões

Sobre este manto possuo
Toques inefáveis
Modelados por escultores.

Sou humano; sou mulher
Iluminada pele escura
Resistindo ao holofote Sol.

,

UNIÃO

The Circle of Lovers - Rodin
.
Eu sou; tu és; nós somos
Não sei; quem sou eu
Quem tu és
Tornamos massa.

Nós; apenas um
Formamos o todo
Dez pontos circulantes
Modelamos alternando.

Perdidos entre nós
Contornamos aos dedos
Quem sou eu; quem tu és.

Eu sou; tu és; separados
Somos; cápsula articulada
Embrião da aliança.
.