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sábado, março 21, 2009

O outro lado

Contam que ela não conhece o mundo do lado de lá. Ele é narrado pelos freqüentadores conhecidos do castelo. Todos vão e vem narrando suas histórias; que ela ouve atentamente. Ela se entusiasma a conhecer o outro lado. Para isso deve seguir o caminho das Princesas. Um cavalheiro deve ser introduzido. Não se tem outra conversa no castelo. Quem será o cavalheiro que vira?
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terça-feira, outubro 28, 2008

Pintando o primeiro amor

Já não percebiam a diferença entre; a rua e a casa. Na chuva, água se espalha por toda casa; unindo-se a desorganização. Restam algumas fotografias; nas paredes escurecidas; disformes pela água. A mulher olha suas mãos; toca em seu rosto; parece deformado. Ela chora; chora muito. O marido ainda não retornou do bar; trazendo-lhe a dose do dia. Hoje deverá pedir fiado; não tem nenhum real. O dono do bar negou-lhe a venda. Abraçados; se apoiando; vão à busca de ajuda.
Passaram horas se confrontando; ambivalentes da decisão. Decidiram. Querem descobrir o início do amor ao álcool. Relatam seus encantamentos; os amigos; as festas; o prazer. Anos de consumo; não perceberam as perdas. Primeiro o emprego; em seguida os amigos; no adiantar do tempo os parentes e filhos; resta-lhes a vida. O amor continua; quase impossível abandonar. Estão dependentes; insanos e pobres. Querem o divórcio mesmo com amor. A comunicação é difícil; decidiram pela expressão plástica.
A estudante de arte vira página por página do livro; contando à história de vida de Van Gogh. O livro circula em suas mãos; identificam-se com ele. Sonham que suas histórias um dia chegarão à livraria cultura; conhecida por eles apenas por nome. Toda semana vinham para escutar, contar e desenhar suas histórias de vida. A capa do álbum dele é toda verde; segundo ele, cor da felicidade dos campos de futebol e de sua bebida preferida. Ela; desenha um espelho refletindo uma mulher de meia idade; em cima do espelho um copo escrito – Não beba. Há anos ela não se olhava no espelho; sempre embriagada. Contaram as várias razões que os levaram a consumir álcool; às vezes se estranhavam; buscando o culpado.
Finalmente, o álbum está pronto. Eles passam páginas por páginas para a estudante de arte; que construiu com eles aquele portfólio. Ela tira do bolso um espelho, passa um batom e vai para a exposição de suas obras. Ele pintou o espaço de verde; esperando outros que também divorciados do álcool vem apreciar suas obras.
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segunda-feira, outubro 13, 2008

A porta de Lewis Carrol

Caminhando lentamente pela Avenida Paulista, me pego parada observando; um Gato. Passei horas analisando sua estética. Era um persa. Jamais havia visto tanta beleza entre os felinos. Seus olhos cor de mel me chamaram atenção parecia ler os pensamentos. O bichano não me deu bola. Permaneceu sentando banhando-se ao sol.
Na manhã seguinte, em minha caminhada; lá o vejo em frente à Livraria Cultura. Desta vez me aproximei. Ele sumiu tão rápido que meus olhos o perderam. Sentei, gastei um tempo folheando O Idiota. Tinha certeza que o bichano retornaria. Olho! Lá vem ele. Permitiu minha aproximação; melindrado. Chamei-o de Ozlow. Deixou ser tocado e acariciado.
Varias vezes me acompanhou até em casa, porém sempre saía em fuga. Em uma das fugas resolvi segui-lo. O perdi. Recebi diversas recomendações de como achá-lo. Não o fiz. Em casa, ouvindo O Messias noto a chegada de Ozlow. Ele pula no meu colo e lambe-me dengosamente. Desenha meu corpo roçando-me. Tem um perfume silvestre. Permaneceu comigo ao som musical.
Ao término, Ozlow caminha vagarosamente a porta de saída. Desta vez não fugiu. Permitiu que eu o acompanhasse. Ozlow vai à Livraria Cultura. Abre a porta de Lewis Carrol e entra. Fiquei na porta. Lá vejo Alice admirada e chamando-o “Gatinho Cheshire”. Ouvi varias perguntas de Alice. Uma das respostas eu também queria ouvir. Que tipo de pessoas vive por lá? Apontando em minha direção. Ozlow me olha e afirma: Lá vive os loucos; é um grande manicômio. Fecho a porta batendo-a.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Os Oliveiras

Arthur fugindo do sertão nordestino partiu a São Paulo. Como São Paulo era muito distante parou em Montes Claros – MG. Lá, ficou tempo auxiliando os bacanas gastar dinheiro nos cassinos. Com o tempo, não tinha mais cassino nem bacanas então continuou viagem rumo a São Paulo. A cidade de pedra não lhe agradou. Dirigiu-se a Santos. Trabalhou por tempos a fio recepcionando os banhistas. Quando o hotel fechou as portas veio à capital construir a cidade. Acompanhou vários engenheiros construindo São Paulo. Em São Caetano se engraçou por Julieta; moça forte e de família. Pediram então a benção aos pais e ao padre e seguiram.

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Julieta engravidou. Deu a luz à iluminada sofista Ieda. Vendo ser a filha iluminada, resolveram ter uma família bem grande. Concluíram que deveriam ser oito. Assim o fizeram. A vida não lhes era nada fácil com tantas pernaltas correndo, pulando cordas, brincando de esconde-esconde, gastando sapatos à beça. Combateram todas as doenças da infância. Lutaram pela criação do SUS. Adotaram o médico da família. Pleitearam por educação. Compraram livros a prazo na livraria Cultura. Buscaram o lazer e não se esqueceram de ensinar o Pai Nosso. Arthur e Julieta viram São Paulo crescer e fizeram parte desse processo.
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O tempo foi passando e outros chegaram. Alguns vieram olharam provaram e não gostaram. Outros vieram quiseram ficar e foram reprovados. Uns foram aprovados. Os aprovados percebendo que Arthur e Julieta queriam uma família grande sofista e iluminados resolveram participar. Estavam todos felizes com a reprodução não assistida se choraram era de felicidade. Um dia... Subitamente. Dois homens partiram entre tantas mulheres. Eles pararam, choraram e enterraram. Em seguida disseram: Vamos! Nossa terra é a Nova Sião.

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segunda-feira, julho 17, 2006

Já decorou minha carta de amor?

Fernando disse que as cartas de amor são ridículas! Ah!
Concordo que são ridículos os que não sabem escrever as cartas esdrúxulas. Cartas aos machões, durões, aos caras pro céu que nunca encontram o que procuram; nem mesmo as cartas de amor ridículas; deixadas nos recentes livros adquiridos. São ridículas, porque são escritas com o coração e no fundo todos fingem não notar o que estão lendo. Se perguntarmos; saberão desde a primeira frase à última.
Quando eles sentem-se ofendidos por estendemos um pouco mais seus nomes, por exemplo: Fernandooooo. Escreva uma carta de amor desenhada de florzinhas rosa. Eles ofendem-se, fintam que não receberam a carta; tudo pra ganhar uma nova carta de amor perfumada e ridícula... Lógico.

Escrevo sempre cartas de amor ridículas; sabe o que acontece?
No primeiro momento: Ignorada... Dizem: Não li, não me interessa. Mas com o passar do tempo no diálogo lá estão às frases da carta de amor ridícula...
Jamais deixarei de escrever cartas de amor. É tão bom...Elas podem ser ridículas para todos; mas concordo com Fernando; quem ainda não escreveu uma carta de amor ridícula?Aqueles que não o fizeram; estão perdendo! Acredito que se não fizeram na realidade, já o fizeram em sonhos...
Ultimamente sou escritora de carta de amor ridícula. Convido vocês há deixarem um pouco a assiduidade e enviarem cartas de amor; mesmo ridículas.
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